População ameaça fazer novo bloqueio na B4-429

São Miguel-População ameaça fazer novo bloqueio na BR-429

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Um prejuízo de mais de R$ 2 milhões e um acordo sobre a pavimentação da BR-429 foram o resultado do bloqueio realizado pela população de São Miguel do Guaporé. A BR e as linhas vicinais foram liberadas na última terça-feira, após o Ministério Público Federal (MPF) articular negociação com o consórcio Fidens/Mendes Junior, empresa contratada para executar a obra pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit).

O presidente da Associação Comercial de São Miguel, José André Cardoso, afirma que a população está muito revoltada com a situação e não descarta a hipótese de um novo bloqueio, caso as obras não iniciem. A previsão também vai ao encontro do pensamento do presidente da Apae, Dercy Martins. “Quem for ao Festival de Praia de Costa Marques é bom ir logo, mas na volta, não é garantido que vá conseguir passar por aqui”, disse Dercy.

Uma outra mobilização, segundo José André, deve ocorrer somente após o resultado do acordo firmado com o Dnit. Para o acordo, a promotora Laíla de Oliveira Cunha apresentou cópia do documento do contrato com o Consórcio, passado pelo Dnit, aos empresários e autoridades políticas do município. Também foi garantido por Antônio Amaral, do Departamento de Infraestrutura, que hoje estará na cidade um engenheiro de Belo Horizonte, o coordenador geral de construção e rodovia, Luiz Guilherme Rodrigues de Melo para mostrar o cronograma da obra.

Com o fim da negociação, parte do grupo continuou no local interrompendo o tráfego. A organização afirma que se tratavam de baderneiros querendo usufruir da comida que era distribuída. Desta forma, a Polícia Militar foi acionada para dispersar a multidão, o que ocorreu de forma pacífica. A Linha 010 foi liberada às 19 horas e a BR foi aberta durante a madrugada, às 2 horas.

PREJUÍZO

José André lembra que o fechamento foi planejado por quase 40 dias com o intuito de chamar a atenção para São Miguel. Calcula-se que o prejuízo no município ultrapassou o valor de R$ 2 milhões com o fechamento das vias. “Tivemos que cortar a nossa própria veia para chamar a atenção para a nossa situação. Este é um prejuízo que não chega perto do que realmente nós estamos perdendo”, disse José André.

GARANTIA

O deputado federal Nilton Capixaba anunciou que se reuniu com o diretor geral do Dnit Jorge Ernesto Pinto Fraxe, em Brasília, para tratar sobre o assunto e que Fraxe garantiu que a Fidens tem o prazo até o próximo dia 27 (já foi notificada) para iniciar a pavimentação do perímetro urbano de São Miguel.

Caso o trabalho não seja iniciado, “Fraxe irá acionar o Ministério Público Federal e a Polícia Federal”, explicou Capixaba.

São miguel espera a obra há mais de dois anos

O comerciante Wiliams Okamoto ressalta que a situação na BR se arrasta por mais de dois anos. “Presenciamos a obra em municípios como Costa Marques e São Francisco, e até em Distritos, enquanto São Miguel está até hoje nesta situação. O prejuízo maior é ter a cidade com uma frente ridícula. Na época da poeira fica insuportável. Expor produtos é deixá-los a mercê da poeira. E na época da chuva tudo fica alagado. Não há drenagem. Já aconteceu de carros serem arrastados e até de caírem em buracos”, falou. Wiliams explica que o memorando 1575, do contrato com o consórcio Fidens foi assinado em 2009. A obra começou, mas com o período chuvoso, os maquinários foram retirados. Em busca de providências os empresários, com recursos próprios, foram por várias vezes a Brasília.

A última informação foi passada, segundo Wiliams, pelo senador Valdir Raupp. Ele teria dito que os maquinários estavam a caminho.“Mas as máquinas nunca chegavam e depois de tantas informações contrárias, para enganar a população, no sábado colocaram uma máquina locada na obra”, disse o comerciante. “Colocaram uma patrol no local. Foi uma vergonha”, complementou José André.

Fonte:diariodaamazonia