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PF mapeia elo de ex-presidente do Postalis
PF mapeia elo de ex-presidente do Postalis

PF mapeia elo de ex-presidente de fundo dos Correios e escritório de Youssef

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Fabio Serapião
Do UOL, em São Paulo

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  • PF/Divulgação

    Ex-presidente do Postalis, Alexej Predtechensky, citado em relatório da Lava Jato

    Ex-presidente do Postalis, Alexej Predtechensky, citado em relatório da Lava Jato

Elaborado pelo agente da Polícia Federal Rodrigo Prado Pereira, o relatório de qualificação dos contatos via BBM (programa de mensagens do BlackBerry) de Alberto Youssef revela que o ex-presidente do fundo de pensão dos Correios Alexej Predtechensky mantinha contato com o doleiro e chegou a visitá-lo em ao menos duas ocasiões. O documento deve ajudar os deputados da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) criada na semana passada para apurar os indícios de aplicação incorreta dos recursos e manipulação da gestão nos fundos de pensão de estatais federais. Predtchesnky ocupou o cargo máximo no Postalis, o fundo de pensão dos Correios, entre 2006 e 2012.

Para qualificar os contatos de Youssef, o relatório datado de 29 de setembro de 2014 combina os dados do controle de acesso de visitantes do escritório de Youssef com informações fornecidas pelo monitoramento de BBM. De acordo com o agente federal, "quando era necessário aumentar o nível de segurança da comunicação" e diminuir ao máximo a possibilidade de monitoramento, o doleiro utilizava-se da tecnologia BBM. Desta forma, salienta Pereira, a rede de contatos "pode ser utilizada para elucidar possíveis atividades criminosas desenvolvidas por ele e que ainda não foram totalmente esclarecidas".

O documento não expõe o conteúdo  das conversas travadas entre Youssef e Predtechensky no aplicativo do BlackBerry. Entretanto, são listadas ao menos duas visitas do ex-titular do fundo de pensão à sede da GFD Investimentos. A primeira em 17 de maio de 2012 e a segunda no dia 25 de fevereiro de 2014. Segundo a PF, a GFD era utilizada pelo doleiro para mascarar transações cujo objetivo era escoar o dinheiro proveniente de fraudes em licitações públicas, em especial na Petrobras.

No relatório, a PF cita ainda uma reportagem do jornal "Folha de S.Paulo" na qual Predtechensky é associado às diligências da operação Faktor. A investigação teve como alvo o grupo político do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). Diz o relatório da PF: "De acordo com fontes abertas, Alexej esteve envolvido com denúncias de fraudes junto ao Postalis, enquanto foi presidente do fundo. Também esteve associado a investigações da operação Faktor (antiga operação Boi Barrica) e teve seu nome associado ao ministro Edson Lobão [PMDB-MA], seu filho Marcio Lobão, e aos senadores Renan Calheiros [PMDB-AL, atual presidente do Senado] e José Sarney". Conhecido como Russo, Predtechensky chegou a ser sócio de Márcio Lobão em uma concessionária da BMW.

Essa não é a primeira vez que o Postalis é citado na Lava Jato. Interrogada pela PF e na CPI da Petrobras, a contadora de Youssef, Meire Poza, disse ter conhecimento de uma reunião entre o doleiro e o senador Renan Calheiros para acertar um investimento do fundo em uma das empresas ligadas ao grupo criminoso alvo da Lava Jato. À época, Calheiros negou qualquer relação ou reunião com o doleiro.

Na 13ª colocação entre os maiores fundos de pensão do país, o Postalis amarga um déficit de R$ 5,6 bilhões em suas contas e enfrenta uma batalha judicial contra seus mais de 120 associados. A disputa começou após o conselho deliberativo do fundo decidir cobrar dos funcionários o rombo causado pelos erros em investimentos e possíveis fraudes capitaneadas pela ingerência política no órgão. Pela decisão, cada funcionário ficou sujeito a um corte de até 25% no contracheque.

Outro lado

Em nota, Alexej Predtchensky disse que não "manteve nenhuma relação comercial ou pessoal com o senhor Alberto Youssef". Segundo o ex-presidente, após sua saída do Postalis, houve o contato com o doleiro com o objetivo de discutir "a viabilidade de um investimento privado no segmento de Tecnologia de Informação, projeto esse que não ocorreu." Sobre sua indicação, Predtchensky disse que ela "foi feita pela patrocinadora e aprovada pelo conselho deliberativo do instituto, conforme determina o estatuto". Em relação ao ex-ministro Edison Lobão, a nota informa que ele foi sócio de seu filho Márcio Lobão em uma concessionária entre 1994 e 1997. Predtchensky negou qualquer relação com o senador Renan Calheiros ou com o ex-presidente José Sarney.

Questionado sobre as providências tomadas para apurar possíveis irregularidades praticadas durante a gestão de Predtechensky, o Postalis, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que "tem feito regularmente análises da carteira e, identificados problemas, tem tomado todas as medidas cabíveis na defesa de seus interesses". Como exemplo, citou a ação judicial contra o banco BNY Mellon relativa ao FIDE Brasil Sovereign II. Sobre o déficit de R$ 5,6 bilhões, o fundo elencou três causas. A rentabilidade insuficiente dos investimentos apurados nos anos de 2011, 2012, 2013 e 2014, "em decorrência de provisionamentos para perdas e desvalorização de cotas de investimentos feitos em períodos anteriores a 2012". Alterações das bases técnicas atuariais do plano, em especial a redução da taxa de juros. E, por último, a suspensão dos pagamentos relativos à RTSA (reserva técnica de serviço anterior), que deveriam ter sido efetuados pelos Correios.