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Haddad pede ajuda em decisão sobre tarifa
Haddad pede ajuda em decisão sobre tarifa

18/06/2013 14h15 - Atualizado em 18/06/2013 14h58

Haddad pede ajuda em decisão sobre tarifa e diz que pode 'se subordinar'

Ele se reuniu nesta terça-feira (18) com representantes de movimento.
Manifestantes disseram que atos continuam até revogação do aumento.

 

Tatiana Santiago Do G1 São Paulo

 
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O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), admitiu pela primeira vez nesta terça-feira (18) rever o valor da tarifa dos ônibus, depois de uma série de protestos contra o reajuste de R$ 3 para R$ 3,20. Ele esteve reunido nesta manhã com integrantes do movimento que organiza as manifestações. "Se as pessoas me ajudarem a tomar uma decisão nessa direção [redução da tarifa], eu vou me subordinar à vontade das pessoas porque eu sou prefeito da cidade, para fazer o que a cidade quer que eu faça", afirmou.

Haddad explicou, durante reunião extraordinária do Conselho da Cidade, que precisaria aumentar o subsídio pago às empresas de transporte coletivo. Atualmente, ele é de R$ 1,4 bilhão ao ano. Se o valor da tarifa fosse reduzido este ano, seriam necessários mais R$ 1,2 bilhão. Segundo estimativa do prefeito, em 2016 o governo municipal pagaria R$ 2,7 bilhões se a tarifa fosse congelada em R$ 3, como exigem os manifestantes.

Segundo Haddad, esse aumento pode trazer prejuízos a outros serviços públicos. “Eu vou ter que explicar para a cidade que são R$ 2,7 bilhões que eu vou ter que arrumar. Apresentei nesse conselho um programa de metas que está aprovado no Orçamento”, disse o prefeito.

Mais cedo, o prefeito disse ainda que o congelamento do valor da passagem de ônibus em R$ 3 até 2016 seria o equivalente a construir 200 mil casas populares, dobrar a rede de hospitais e contratar 20 mil médicos.

"Na gestão [Luiza] Erundina, se propôs dobrar o IPTU para zerar a tarifa. Hoje dobrar o IPTU seria insuficiente, porque 60% dos impostos estão vinculados à saúde e educação pela Constituição", explicou.

Segundo ele, dobrar o IPTU significaria a redução da tarifa em apenas 50%. Haddad pediu compreensão da população. "Nós queremos que a sociedade entenda o que está em jogo", afirmou.

A maioria dos integrantes do conselho, composto por 136 representantes da sociedade, apoiou durante os discursos a revisão da tarifa do transporte público. O conselho é apenas consultivo e não pode tomar decisões pela Prefeitura. Entre os integrantes estão o ex-jogador de futebol Raí e o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer.

Os manifestantes disseram que foi a primeira vez que Haddad admitiu que pode rever o valor de R$ 3,20. Eles afirmaram que os protestos continuam até a revogação do aumento, mas que a Prefeitura abriu um caminho de negociação. A última manifestação, nesta segunda-feira (17), reuniu cerca de 65 mil pessoas.

Palavras
No início da reunião, Haddad disse nunca ter usado “nenhuma palavra que desmerecesse o movimento”. "Eu nunca utilizei nenhuma palavra que desmerecesse o movimento. Nunca utilizei a palavra vândalo, baderneiro, isso não faz parte do meu vocabulário político, embora tenha recriminado a violência", disse o prefeito, em clara referência ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que, ao falar sobre um protesto na semana passada, disse que era “intolerável a ação dos baderneiros”.

O prefeito falou também sobre a manifestação desta segunda. “A manifestação de ontem, para a nossa felicidade, teve pouquíssimos incidentes. A cidade soube acolher, isso da parte das autoridades, da segurança pública, todo mundo compreendeu o sentido de conviver em São Paulo, isso foi muito bom”, opinou.

Haddad fala em reunião do Conselho da Cidade (Foto: Tatiana Santiago/G1)
Haddad fala em reunião do Conselho da Cidade
nesta segunda (Foto: Tatiana Santiago/G1)

O convite para uma reunião com Haddad nesta quarta-feira (19) na sede do Sindicato dos Jornalistas foi refeito. O movimento diz que são 37 milhões de pessoas excluídas, no país todo, por causa do preço da tarifa e o aumento da passagem agrava ainda mais esse quadro.

5º dia de protesto
O quinto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte em São Paulo foi marcado pela mobilização de mais de 65 mil pessoas em um movimento pacífico, que transformou vias importantes da cidade em "calçadões". Apesar disso,  o ato teve um tumulto isolado em frente ao Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul da capital paulista.

As passeatas começaram pouco depois das 17h desta segunda-feira (17) no Largo da Batata, em Pinheiros, e passaram por ruas da região central, percorreram a Marginal Pinheiros e chegaram à sede do governo do estado.

No Palácio dos Bandeirantes manifestantes arrombaram um portão, atiraram rojões contra policiais e vandalizaram dois ônibus nos arredores. A PM reagiu e não houve invasão. Ninguém havia sido preso até as 2h desta terça.

O ponto onde ocorreu o tumulto foi apenas um dos destinos das passeatas desta segunda. As milhares de pessoas que inicialmente estavam concentradas em Pinheiros se dividiram pela cidade quando o ato começou.

Uma parte seguiu pela Marginal Pinheiros, outra pela Avenida Faria Lima e um terceiro grupo ocupou a Avenida Paulista. Houve ainda protesto na frente da Assembleia Legislativa de São Paulo. O trajeto dos grupos foram apenas acompanhados pelos policiais, que não interviram e nem impediram a ocupação de vias.

 

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