Assédio moral: Carteiros denunciam diretoria no MP

Assédio moral: Carteiros denunciam diretoria no MP Carteiros do Centro de Distribuição Domiciliar dos Correios de Aparecida de Goiânia apresentaram denúncia por assédio moral ao Ministério Público do Trabalho (MPT) na manhã de sexta-feira, 6. Os trabalhadores alegam que a diretoria regional da empresa em Goiás pressiona funcionários por meio de intimações, recebidas por duas lideranças do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, que precisam prestar esclarecimentos sobre a paralisação ocorrida no último dia 22 de agosto. Os denunciantes, ao levarem o documento ao MPT, foram acompanhados por outros 30 funcionários da estatal, que prestaram solidariedade. De acordo com o secretário da Saúde dos trabalhadores dos Correios, Edimar Ferreira, a intimação recebida por ele foi uma forma da direção acuar lideranças classistas, o que configuraria assédio moral. Edimar afirma ainda que, pelo fato da última paralisação ter sido comunicada através de edital de convocação em jornal de grande circulação, não seria necessário tais esclarecimentos. A denúncia foi entregue ao procurador do Trabalho Antônio Carlos Cavalcante Rodrigues. “Ao agir desta maneira, a direção dos Correios contraria o direito constitucional de greve”, afirma o secretário Edimar que, além da intimação, a diretoria regional teria enviado memorando para cada um dos participantes da paralisação. Nesse documento, a empresa solicitava que os funcionários dessem explicações sobre os motivos de participarem da ação. A greve teria sido anunciada com antecedência e as reivindicações colocadas em pauta desde dezembro. Sobrecarga e precariedade Na paralisação de agosto, o Sintect-GO divulgou uma carta aberta à população. Nesse documento, os carteiros reivindicavam melhorias de condições de trabalho e denunciavam sobrecargas de trabalho, devido à falta de trabalhadores. Reclamavam ainda da precariedade das ferramentas de trabalho, como motos e bicicletas inadequadas para o serviço de entregas. O representante do sindicato afirma que a direção regional da estatal não promove melhorias nas condições de trabalho. “Várias bicicletas estão quebradas, faltam ferramentas, muitas motos estão estragadas; os veículos não são adaptados às condições de trabalho dos carteiros, o que ocasiona diversos problemas físicos e provoca afastamentos de trabalhadores”, denuncia Edimar. Uma greve nacional dos Correios está marcada para dia 17 de setembro. Crescimento da cidade não acompanhado Um funcionário, que não quis se identificar, diz que após a divulgação dessa carta, passou a receber notificações para comparecer à direção da empresa. “Recebi duas intimações: uma para falar da greve, outra da carta aberta. Ficamos sabendo que a direção da empresa está produzindo um relatório, que vai servir de apuração, sobre quem e porquê participaram dessas ações. Acredito que o intuito disso é punição dos trabalhadores”, pondera. O funcionário ainda reclama da sobrecarga de trabalho depositada nos carteiros. Para ele, a empresa não acompanha o crescimento da cidade, não busca novas alternativas. Completa que Aparecida de Goiânia é uma das cidades que mais crescem no país e os Correios não acompanham tal desenvolvimento, sobrecarregando os trabalhadores. O funcionário diz que após a greve, algumas das reivindicações foram atendidas de forma pontual, mas ainda insuficiência. “De 15 carteiros necessários para a região de Aparecida de Goiânia, contrataram sete, o que melhorou a situação. Mas se você pegar o quadro de funcionários, de gente afastada, de gente que foi mandada para outra seção, os números de funcionários não estão corretos”, diz. Diretoria contesta acusações Em nota, a diretoria regional rebate as acusações dos trabalhadores. A resposta oficial diz que os empregados foram convidados a se pronunciarem sobre a distribuição de carta aberta à população de Aparecida de Goiânia por conter “inverdade sobre a estatal, não sendo questionados em nenhum momento sobre o direito constitucional da greve”. A empresa comunica que zela pelos direitos de seus funcionários, pelo respeito à dignidade humana e sempre os orienta a formalizar quaisquer motivos de constrangimento para a devida apuração e oferta de apoio psicológico, dentre outras providências. A nota completa que o compromisso de combate ao assédio moral também acontece por meio de ações como treinamentos e palestras.


Fonte/Autoria: Jornal O Hoje, edição de 07/09/2013